A neutralização do estigma em narrativas de entrada para o tráfico: adesão e resistência a estereótipos de feminilidade

Autores

  • Carlos Vinícius Pereira dos Santos Nascimento Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
  • Amanda Carvalho França Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
  • Liana de Andrade Biar Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

Palavras-chave:

estigma; desvio; trabalho de face; narrativa

Resumo

Partindo dos estudos clássicos de Goffman (1975) e Becker (1963) sobre as noções de estigma, desvio e encontro misto, este estudo realiza uma análise qualitativa e interpretativista de narrativas (Bastos e Biar, 2015) de mulheres presas por tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Os resultados indicam uma polarização de sistemas que dão coerência (Linde, 1992) às relações de causa e efeito presentes nas histórias de entrada para o crime conforme contadas por essas mulheres. De um lado, e predominantemente, estão aquelas que reivindicam tal causalidade a partir de um envolvimento afetivo com companheiros, donde se destaca, como características narrativas, passividade frente às ações narradas e avaliações negativas em relação ao self passado, em geral tratado como irracional, imaturo, emocional. De outro, as que justificam essa entrada de maneira agentiva e protagonista, sob o pretexto de complementação de renda familiar ou simplesmente pelo desejo de poder.

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Referências

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Publicado

2026-01-08

Como Citar

Nascimento, C. V. P. dos S., França, A. C., & Biar, L. de A. (2026). A neutralização do estigma em narrativas de entrada para o tráfico: adesão e resistência a estereótipos de feminilidade. Revista Brasileira De Iniciação Científica, 3(7), PDF. Recuperado de https://periodicoscientificos.itp.ifsp.edu.br/index.php/rbic/article/view/2778