Os conceitos de cegueira botânica e zoochauvinismo e suas consequências para o ensino de biologia e ciências da natureza

Autores

  • Gabriel Piassa Universidade Estadual de Campinas
  • Jorge Megid Neto Universidade Estadual de Campinas/Docente da Faculdade de Educação
  • André Olmos Simões Universidade Estadual de Campinas/ Docente do Departamento de Biologia Vegetal

Palavras-chave:

Cegueira Botânica, Zoochauvinismo, Disparidade da Consciência sobre Plantas, Ensino de Botânica, Ensino de Biologia

Resumo

O Ensino de Botânica é considerado desestimulante, limitado e desconexo do cotidiano dos alunos, centrado na memorização de termos e nomenclaturas, resultando numa subvalorização das plantas quando comparadas a outros grupos de seres vivos e reforçando o Zoochauvinismo e a Cegueira Botânica. Zoochauvinismo consiste na tendência generalizada de considerar plantas seres inferiores aos animais, e Cegueira Botânica implica na incapacidade de notarmos as plantas em seu cenário natural e/ou reconhecer sua real importância para a biosfera. Este artigo recupera e discute estudos teóricos sobre esses conceitos e apresenta resultados sobre como podem impactar o ensino de Botânica.

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Biografia do Autor

Gabriel Piassa, Universidade Estadual de Campinas

Doutorando em Biologia Vegetal com Ênfase em Ensino de Botânica. Instituto de Biologia/UNICAMP

Jorge Megid Neto, Universidade Estadual de Campinas/Docente da Faculdade de Educação

Possui Licenciatura em Física pela Unicamp (1981), mestrado em Educação/Ensino de Física (1990) e doutorado em Educação/Ensino de Ciências (1999) ambos pela Unicamp. Foi professor de Física do ensino médio entre 1979 e 1995. Desde 1996 é professor da Faculdade de Educação da Unicamp. Tem experiência na área de Educação e Formação de Professores, com ênfase no campo da Educação em Ciências e Educação Ambiental, atuando principalmente nos seguintes temas: ensino de ciências para crianças e jovens, pesquisas do estado da arte, formação inicial e continuada de professores, avaliação de materiais didáticos. Exerceu vários cargos de gestão acadêmica na FE-Unicamp: Diretor associado 2000-2004; Diretor 2004-2008; Coordenador de Extensão 2011-2013; Coordenador do Programa de Pós-Graduação Multiunidades em Ensino de Ciências e Matemática 2010-2013. Foi representante docente no Conselho Universitário 2015-2018. Integra o Grupo de Pesquisa Formar-Ciencias desde 1997, tendo sido seu coordenador em 2000-2001 e 2008-2017.

André Olmos Simões, Universidade Estadual de Campinas/ Docente do Departamento de Biologia Vegetal

Possui graduação em Ciências Biologicas pela Universidade Estadual de Campinas (1997), mestrado em Biologia Vegetal pela Universidade Estadual de Campinas (2000) e doutorado em Biologia Vegetal pela Universidade Estadual de Campinas (2004). Atuou como Professor Doutor MS-3, RDIDP, da Universidade de São Paulo (EACH - Escola de Artes, Ciências e Humanidades) de março de 2007 a agosto de 2011. Atualmente, é Professor Doutor da Universidade Estadual de Campinas (Departamento de Biologia Vegetal, Instituto de Biologia). Tem experiência na área de Botânica, com ênfase em Taxonomia de Fanerógamos, particularmente da família Apocynaceae, atuando principalmente nos seguintes temas: taxonomia, sistemática filogenética, anatomia vegetal, biogeografia histórica e biologia evolutiva. É Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, nível 2.

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Publicado

2022-07-25

Como Citar

PIASSA, G.; MEGID NETO, J.; OLMOS SIMÕES, A. Os conceitos de cegueira botânica e zoochauvinismo e suas consequências para o ensino de biologia e ciências da natureza. Revista Internacional de Pesquisa em Didática das Ciências e Matemática, [S. l.], v. 3, p. e022003, 2022. Disponível em: https://periodicoscientificos.itp.ifsp.edu.br/index.php/revin/article/view/641. Acesso em: 8 dez. 2022.